Lendas em Itabaiana-SE
Itabaiana é uma bela cidade
que fica localizada no agreste sergipano. Seu
processo de desenvolvimento surgiu da socialização de seus habitantes
nativos com os andarilhos. A vila de
santo Antônio como era chamada serviu de acolhida para os andarilhos que
trilhavam as terras do hoje município serrano. Elevado à categoria de cidade em
28 de agosto de 1888. A lenda sempre foi uma cultura presente na vida de seu
povo.
Muito se ouviu falar sobre o
santo Antônio fujão, carneirinho de ouro e Ita’ a baiana; de acordo com o
recorde da memória da nossa infância em conversa com á vovó Maria Cecilia de
Oliveira (in memoriam). As lendas foram uma maneira de preservar os interesses
daqueles que sonhavam com o progresso de Itabaiana. Atualmente a cidade possui
86.967 habitantes de acordo com o último senso 2014 do IBGE
O carneiro de ouro
Dizem alguns contadores de
historias que na serra de Itabaiana existe um carneiro de ouro que, encantado,
tem levado muitos aventureiros ao precipício na vã tentativa de captura-lo.
Alguns afirmam ate que seu aparecimento da-se durante o mês de agosto, época de
chuvas ligeiras, vindo logo o aparecimento do sol, e onde ao luzir das pedras
das vertentes da serra de Itabaiana mediante ao refletir dos raios solares,
esses aventureiros na ânsia de capturar o ouro que parece fluir das vertentes
da serra, para la encaminham-se perturbando o meio, e levando todo a sua usura,
acaba por tumultuar a vida dos espíritos das matas e dos campos que recobrem a
serra. Encantado, um espirito se transforma num formoso carneiro de ouro e
atrai o usurento ate as fendas abruptas da serra, fazendo com que o precipite
no abismo.
Afirmavam os antigos que
muitos lá tinham perdido a vida, nunca mais tendo sido achados seus corpos ou
mesmo esqueletos. Como um arco íris ele aparece e desaparece sem deixar
vestígios.
A lenda da índia ita, a baiana
A formação do nome Itabaiana
vem diretamente da língua indígena, no tronco tupinambá, e se consolidou na
lenta formação cultural por que passou o município. Como seu significado
perdeu-se no tempo, quando algum estranho ou mesmo crianças e adultos curiosos
perguntavam aos tidos como mais inteligentes acerca da origem do nome, se
respondia que era devido ao motivo de ter havido junto ao arraial uma índia de
nome Ita, vinda da Bahia de todos os santos e que acostumava dançar sob coro de
palmas de presentes que exclamavam eufóricos:
Ita, a baiana! Dai, teria se originado o nome.
A lenda de santo Antônio fujão
Também popular como a lenda
de santo Antônio da pracatinha (alpercatinha), diz essa lenda que a imagem
esculpida em madeira de santo Antônio não se conformou em ficar na igreja
velha, a primeira igreja construída em Itabaiana, antes mesmo que houvesse a
vila ou cidade, e teimosamente, fugia em todas as noites em que era levado para
lá, e acabava sendo encontrado embaixo de uma quixabeira, ao lado da sede da
fazenda de Ayres da rocha Peixoto, denominada caatinga de Ayres da rocha
Peixoto. Quantas e quantas vezes os religiosos a levassem pro altar da igreja
velha, mas ele, aproveitando-se da calada da noite caia na entrada de volta pra
quixabeira, distante mais ou menos seis quilômetros. Pessoas na época juravam
terem visto suas pegadas nas areias da
estrada, dai por que também o apelido de Santo Antônio da “precatinha” ou
alpercatinha. De tanto fugir, os padres teriam se dado por vencidos e
transferido a igreja para encostado à quixabeira, acabando de vez com as
estripulias fugitivas do santo.
Fonte: Bispo, José de almeida. Itabaiana, nosso lugar:
quatro século depois, Aracaju: ed. Infrographics, 2013